Steve Jobs é entrevistado por Walt Mossberg na D8. Fala sobre iPad, Adobe, Flash, Gizmodo e iPhone 4

Ontem Steve Jobs participou de uma entrevista com Walt Mossberg e Kara Swisher na abertura da D8 do All Things Digital. Steve parecia feliz, bem humorado e bastante confiante, o que acho interessante já que protótipos foram perdidos, informações vazadas e isso sem falar da crise com os suicídios na Foxconn. Não vou fazer um grande apanhado da entrevista, já que você pode reler o liveblog do Engadget clicando aqui.

Walt, Kara, Jobs, e um cafézinho no chão

Steve falou sobre o iPad e sobre a “briguinha” contra a Adobe, na verdade, ele mesmo não enxerga isso tudo como uma briga, mas disse simplesmente que o Flash é uma tecnologia que já teve sua era, e que hoje em dia não se faz mais necessária. Além do mais, a Apple é uma empresa que dita tendências e muitas vezes já foi tachada como louca — lembram de quando eles mataram o disquette? e quando introduziram os USBs? e quanto mataram o drive óptico no MacBook Air? Então.

Ele ainda disse que realmente acha o iPad mágico, e que isso se dá ao fato de não ter nada além de você e o gadget, você não precisa apontar… basta tocar. E isso é mesmo fantástico. Jobs comentou sobre a idéia básica do iPad que não é tão nova assim…

“Eu tive esta idéia de ter uma tela de vidro, uma tela multitoque onde você possa digitar. Comentei com algumas pessoas sobre isso e seis meses depois vieram com este maravilhoso display. Eu o levei para a brilhante equipe de Interface de Usuário e eles criaram esta rolagem com inércia e diversas outras coisas, e eu pensei, meu deus, podemos criar um telefone com isso e deixar uma tablet de lado. E aí começamos a trabalhar no telefone”

Para ele, o iPad apenas arranhou com seus aplicativos a real capacidade dele, Jobs acredita que poderemos ver em um futuro não muito distante aplicativos de edição de imagem e vídeo avançadas para o gadget, e tenho de concordar com ele. Não acho difícil num futuro próximo podermos abrir nossos arquivos .psd em um Photoshop desenvolvido própriamente para o gadget, ou então um vídeo, quem sabe, numa versão mobile do iMovie.

Steve disse que jornais e revistas estão fazendo apps para o iPad, mas que podem não ter entendido a grande jogada. Eles não tem de fazer versões para o iPad, mas criar aplicativos e selecionar editores propriamente para a versão do gadget e, além disso, colocar um preço bem agressivo em seus aplicativos, e ganhar com o volume de vendas, que é o que costuma funcionar na App Store. Coloque um preço acessível e você venderá milhões.

“Acredito que precisamos de bem mais editores que antes.”

O jornal é um tipo de mídia, seu texto não funciona na internet como funciona no jornal. A internet precisa de editores e uma escrita diferenciada. Assim é o iPad, um novo tipo de mídia, uma mídia que pode ser ainda mais interativa e intimista, não fazendo apenas que o leitor ‘leia’ mas que ele interaja com os artigos, infográficos, vídeos, anúncios e muito mais.

Quando perguntado se o iPad poderia substituir o laptop Steve usou uma analogia bem interessante…

“Antigamente as pessoas viviam no interior e precisavam de caminhonetes, pickups, hoje em dia moram na cidade e não precisam mais disso, um compacto já basta. E os PCs são caminhonetes. Cada vez mais as pessoas vão precisar menos deles.”

Os netbooks já estão perdendo força no mercado e eu retomo o que ele disse há algum tempo, netbooks são pequeno e portáteis, mas são miniaturas, são fracos, e ruins de lidar, você simplesmente se cansa dele depois de um tempo. Tenho um EeePC aqui e não fico nele mais que 5 minutos, não consigo. O teclado é ruim, a tela é pequena demais para um sistema operacional complexo com diversas janelas, e seu processamento deixa a desejar. Programas mais recentes e sites com flash são péssimos para abrir.

Falando em Flash, Steve comentou sobre esta ferramenta da Adobe e defendeu novamente o HTML5, falou sobre o que e como ele trabalha na Apple, sobre a aprovação de aplicativos na App Store, e o porquê a Apple é tão rigida assim. Mas uma resposta eu tenho que citar aqui pois acredito que foi a melhor do dia (da noite, neste caso)… perguntaram a ele o que ele imaginava para sua vida daqui a 10 anos…

“Bem, quando esta coisa toda com o Gizmodo aconteceu, recebi diversos conselhos de pessoas que diziam ‘você tem que deixar isso fluir, você não deve correr atrás de um jornalista apenas porquê ele couprou uma propriedade roubada e tentou extorqui-lo’ E eu pensei profundamente nisso, e concluí que a pior coisa que poderia acontecer é se nós perdessemos e deixássemos de lado nossos valores. Não posso fazer isso. Eu preferia me demitir.

Você volta 5 ou 10 anos, o que você faria? … não vamos falar nisso … nós temos os mesmos valores que tinhamos naquela época. Os valores básicos são os mesmos. Nós vamos trabalhar todos os dias querendo fazer o mesmo que fizemos 5 ou 10 anos atrás — criarmos os melhores produtos. Nada faz meu dia como receber emails aleatórios dizendo o como usuários adoraram o iPad. E é isso que me mantém na linha. É isso que me mantém querendo continuar da mesma forma que 10 anos atrás e agora é o que me manterá no mesmo caminho no futuro”

Clap, clap, clap, não consigo pensar em mais nada para acrescentar. Apenas digo que você deve ler o live blog do Engadget para saber tudo o que aconteceu e foi falado, ver os vídeos abaixo com alguns trechos mais interessantes da entrevista, e comentar o que você achou da participação dele, e o que você espera para esta WWDC.

Um forte abraço!

Flash e Adobe:

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Sobre o iPhone perdido:

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Sobre o Google e o Android: